
Mas afinal, o que poderia explicar o surgimento desse processo doloroso?
Apesar da grande quantidade de estudos, ainda são desconhecidos os exatos mecanismos responsáveis pelo surgimento da dor muscular tardia. Algumas teorias propõem dano físico causado pelo aumento da tensão no aparelho contrátil (principalmente nas contrações excêntricas onde a quantidade de força desenvolvida é, aproximadamente, duas vezes superior à força desenvolvida durante contrações isométricas; no entanto, o número total de pontes cruzadas ativas é somente 10% maior, resultando numa tensão elevada na estrutura muscular e num exercício de alta intensidade), acúmulo de produtos metabólicos, dano estrutural aos tecidos (causado pelo aumento da temperatura muscular) e controle neuromuscular alterado como os possíveis fatores envolvidos na etiologia da dor muscular tardia. No entanto, Tricoli em sua revisão discute a hipótese de que os danos causados à estrutura muscular, devidos à prática de contrações musculares de alta intensidade, desencadeiam uma resposta inflamatória (caracterizada pela movimentação de fluidos, de proteínas plasmáticas e de leucócitos, em direção ao tecido afetado), a qual é a principal responsável pela dor tardia no grupo muscular exercitado.
E o que poderia ser feito para minimizar o desenvolvimento da dor muscular tardia?
Devemos enfatizar que o treinamento físico periódico e altamente específico é ainda a melhor solução para tal problema, sendo que, o mesmo pode muito provavelmente aumentar a resistência da fibra muscular ao dano estrutural, consequentemente prevenindo e/ou amenizando o desenvolvimento do processo inflamatório. Entretanto, quando o sujeito submetido ao esforço físico é o iniciante, deve-se levar em consideração também seu nível de condicionamento físico, sendo aconselhável prescrever exercícios com grau de dificuldade reduzido, fazendo uso de cargas leves a moderadas, para que desse modo o sujeito iniciante possa se adaptar à novos padrões de movimentos com o mínimo desconforto muscular possível.
Tricoli, W., Mecanismos envolvidos na etiologia da dor muscular tardia. Rev. Bras. Ciên. e Mov. 9 (2): 39-44, 2001.
Roberto Poton